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Taxação dos Estados Unidos afeta exportações do compensado palmense

Desde abril, o produto tem acumulado taxas que hoje ultrapassam 50%.
22 de outubro de 2025
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O compensado produzido em Palmas, Sul do Paraná, segue enfrentando forte barreira para entrar no mercado norte-americano. Desde abril, o produto tem acumulado taxas que hoje ultrapassam 50% nos Estados Unidos, o que tem reduzido expressivamente as exportações do setor. A situação é considerada crítica por empresários do ramo, que esperam uma negociação entre os governos brasileiro e americano para reverter o cenário.

Conforme o diretor comercial do Grupo Sudati, Fabiano Sangali, em entrevista à Rádio Club, o aumento da tarifa decorre de uma decisão recente do governo dos Estados Unidos que retirou o compensado brasileiro da chamada Seção 232, norma que garantia isenção parcial das taxas aplicadas sob o argumento de segurança nacional. “Com essa decisão, o compensado brasileiro ficou de fora da proteção e passou a pagar 10%, mais 40% de tarifa punitiva, além dos 8% do GSP que já era normal, totalizando 58%. Isso praticamente inviabiliza as vendas para o mercado americano”, explicou Sangali.

O empresário pontua que, até o fim de setembro, havia expectativa de que a Seção 232 garantisse uma redução da taxa, mas o resultado surpreendeu negativamente o setor. Desde o início da cobrança dos 40%, em 6 de agosto, as exportações diminuíram de forma significativa. “A partir dali, o setor passou a sentir fortemente o impacto. A gente segurou quadro de funcionários e manteve a produção esperando uma definição mais positiva, mas o cenário acabou piorando”, destacou.

Segundo Sangali, o único caminho viável agora é uma negociação diplomática. “A nossa esperança é que os governos cheguem a um acordo para retirar essa tarifa punitiva de 40%. Com isso, voltaríamos a algo em torno de 18%, o que permitiria manter as operações com margem reduzida, mas ainda viável.”

A Sudati e outras empresas do setor avaliam a possibilidade de abrir novos mercados, mas o diretor explica que há limitações. “A gente exporta para 45 a 50 países, mas os grandes consumidores estão na Europa e América do Norte. Há alternativas no México, Caribe e Oriente Médio, mas todos os mercados enfrentam barreiras e estão cada vez mais protecionistas. A ausência dos Estados Unidos causa um impacto muito grande”, afirma.

 

Por RBJ

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