As medidas anunciadas pelo governo brasileiro para apoio às empresas exportadoras são consideradas positivas pelo setor florestal do Paraná. Porém, o segmento reforça a necessidade de buscar a redução das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A presidência da República apresentou nesta quarta-feira (13), em cerimônia no Palácio do Planalto, um pacote de ações para apoiar as empresas impactadas pela sobretaxação aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
A principal ação anunciada foi a criação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões, destinada a empresas afetadas pelo “tarifaço”. O acesso ao financiamento estará condicionado à manutenção do número de empregos.
A Receita Federal ficará autorizada a adiar a cobrança de impostos das empresas mais impactadas pela medida, prática que já havia sido adotada durante a pandemia de Covid-19. Além disso, exportadoras terão direito a crédito tributário para desonerar vendas ao exterior
Outro ponto do pacote prevê mais acesso a operações de seguro para exportadoras, especialmente pequenas e médias, com cobertura contra riscos como inadimplência e cancelamento de contratos.
Levantamento da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), aponta que a indústria madeireira é o segmento mais afetado no Estado pelas decisões norte-americanas. O setor madeireiro responde por quase 40% de tudo o que o Paraná exporta aos Estados Unidos, movimentando mais de US$ 614 milhões em 2024. Em determinados segmentos, mais de 95% da produção é enviada para o mercado norte-americano.
Para o presidente da Associação Paranaense das Empresas de Base Florestal (APRE Florestas), Fábio Brun, o anúncio do governo federal é positivo, possuindo vários pontos que podem atender empresas que fazem exportação para o mercado americano.
Ele ressalta, porém, que as medidas têm “validade” de curto prazo, servindo de base para manter as empresas no período de ajuste a esse novo momento da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Pontua que o ideal é que, mesmo com esse pacote de medidas, o governo siga em negociações para redução das tarifas, porque, por mais abrangente que o plano seja, trata-se de uma medida paliativa. “É um paliativo bom, não se pode negar que tem muitos componentes interessantes, mas a realidade é que a gente precisa mesmo que o problema da tarifa seja resolvido”, enfatiza Brun, que também pondera sobre a implementação das ações, cobrando que os benefícios anunciados sejam efetivamente aplicáveis e que o setor produtivo tenha acesso às ações propostas.
Por RBJ



