CRIME

Polícia investiga casal suspeito de deformar rosto de cliente em clínica de estética no PR: 'Não podia mais me olhar no espelho'

Exame indica que PMMA foi aplicado no rosto da paciente. Fiscalização constatou irregularidades na clínica, que já foi alvo de denúncias envolvendo possíveis violações de normas sanitárias.
08 de janeiro de 2025
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A Polícia Civil do Paraná investiga um casal, dono de uma clínica de estética de Cascavel, no oeste do estado, suspeito de deformar o rosto da paciente Raquel Roseli Demichei Dornelles após um procedimento estético.

O farmacêutico Tiago Tomaz da Rosa, responsável pela Clínica Revive, e a esposa dele, a médica Carolina Milanezi Bortolon Rosa, são investigados pelos crimes de exercício ilegal da profissão e lesão corporal de natureza grave.

Dornelles conta que procurou a Clínica Revive em junho de 2023 para fazer o procedimento chamado "Sculptra", que promete estimular a produção de colágeno na pele.

No entanto, ela alega que o farmacêutico aplicou no rosto dela polimetilmetacrilato (PMMA). A substância foi indicada por um exame de biópsia contratado pela vítima.

Segundo o Conselho Regional de Farmácia (CRF-PR), o PMMA é uma substância sintética que, embora aprovada para uso médico em casos específicos, como cirurgias reparadoras, é "amplamente desaconselhada para fins estéticos".

Conforme o órgão, o uso do PMMA com este objetivo apresenta alto risco de complicações, incluindo inflamações, infecções e deformidades permanentes.

O caso também é acompanhado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR).

"No início tinha muita dor. Eu comecei a ter várias alergias. Eu não podia mais me olhar no espelho. Eu eu passei por um médico psiquiatra, para tomar remédio. Nem meu marido me aguentava, porque eu me olhava no espelho, eu me achava feia. Eu quase me separei", lembra Raquel.

Fiscalização constatou irregularidades na clínica, diz conselho

 

Em setembro, motivados pelo relato feito ao Ministério Público, o Conselho Regional de Farmácia e o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) realizaram uma inspeção na Clínica Revive.

Segundo o CRF, durante a inspeção, a equipe constatou diversas irregularidades, incluindo a utilização do PMMA.

O órgão afirmou ainda que a Clínica Revive já foi alvo de outras denúncias envolvendo práticas inadequadas e possíveis violações de normas sanitárias.

O CRF disse também que está conduzindo uma análise detalhada da denúncia, para garantir uma apuração completa e transparente, e que as medidas necessárias sejam tomadas.

Dores, alergias e medicamentos

Raquel conta que demorou cerca de 9 meses para entender que haviam feito um procedimento diferente do qual ela tinha contratado.

Segundo ela, durante o procedimento relatou ao farmacêutico que estava sentido muita dor. No entanto, ele disse a ela que era um sintoma comum do "Sculptra".

Em casa, a dor não passou, e Raquel começou a notar que rosto estava inchando, momento que decidiu procurar a clínica novamente.

Ela afirma que, na clínica, foi medicada, e que Tiago disse novamente a ela que o inchaço era comum e fazia parte do procedimento.

Raquel alega ainda que, no local, era medicada pela esposa do farmacêutico, a dermatologista Carolina Milanezi Bortolon Rosa, que dizia a ela que os efeitos colaterais eram resultados de uma alergia.

Segundo ela, até aquele momento, ainda acreditava que se tratava de efeito colateral do procedimento que havia contratado e tinha a esperança que o corpo absorvesse a substância aplicada, como o esperado nas utilizações de "Sculptra".

"Eu continuei indo porque ele falou: 'Raquel, você teve um processo diferente. Vai gerar mais colágeno'. Eu continuei inchando e eu pensei: 'Daqui a um ano, meu corpo vai absorver e vai voltar ao formato normal'", lembra a vítima.

Após não ver melhoras, a empresária decidiu procurar atendimento dermatológico especializado. O médico que a atendeu suspeitou do produto usado e pediu para ela realizar um exame de biópsia, que indicou a presença de PMMA no rosto da paciente.

 

Por G1

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