Em vídeo publicado nas redes sociais, uma equipe médica aparece ouvindo música alta durante o transporte de uma criança com hidrocefalia. O registro foi feito pela mãe da paciente, no trajeto entre Jundiaí do Sul e Jacarezinho, cidades do norte do Paraná.
"Eu não estava acreditando que eu estava passando por aquela situação. [...] A minha única saída foi filmar e postar a minha indignação como mãe. É lamentável", disse em entrevista ao g1 a mãe da vítima, Graciele Reis dos Santos
Ela explicou que a filha, de 10 anos, teve crises convulsivas. Por isso, no sábado (4), buscaram atendimento na Unidade Mista de Saúde de Jundiaí do Sul.
A médica que realizou o atendimento da criança solicitou transferência ao hospital Santa Casa, em Jacarezinho. Graciele informou que havia suspeita de obstrução da válvula da derivação ventrículo peritoneal.
O transporte foi feito com uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel, pelo Consórcio Público Intermunicipal de Saúde do Norte Pioneiro (Cisnorpi).
Graciele conta ter ficado sozinha com a filha durante o trajeto, enquanto a equipe médica permaneceu na parte da frente da ambulância com o som sendo controlado por eles.
"Quando acabou a medicação dela [filha], no meio do caminho, eu chamei a enfermeira. [...] Ela não me ouvia. Eu tive que tirar o cinto, me levantar, ir nela e tocar nela. Ela não gostou muito", contou Graciele em entrevista à RPC.
Ao chegar no hospital de Jacarezinho, Graciele lembra de ter chorado por estar "muito nervosa". A criança precisou passar por outra transferência, para o Hospital Infantil Sagrada Família de Londrina, que ocorreu sem registros semelhantes.
A criança recebeu alta médica e, nesta segunda-feira (6), está em casa.
Em nota, o Cisnorpi informou que "diante da gravidade da situação, medidas imediatas estão sendo tomadas para apurar os fatos e responsabilizar os profissionais envolvidos".
"[...] não toleramos e nunca toleraremos comportamentos que violem o bem-estar e a dignidade dos pacientes, que devem ser tratados com o máximo de atenção, zelo, respeito e humanidade pelos profissionais, deixando claro que o CISNORPI, na condição de Órgão Gestor do SAMU REPUDIA situações desta natureza", diz a nota.
O documento é assinado por Marcelo José Bernardeli Palhares, Presidente do Cisnorpi e prefeito de Jacarezinho.
Por G1



