PARANÁ

PM que deu tapas, chutes e puxou cabelo de mulher no Paraná não registrou agressões em boletim de ocorrência

Soldado foi investigado em inquéritos militares por lesão corporal em outras abordagens. Defesa diz que só vai se manifestar após ter todas as informações do caso.
27 de agosto de 2024
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O policial militar Jader Aparecido Camilo, que deu tapas e chutes em uma mulher de 28 anos, ignorou as agressões no boletim de ocorrência do caso registrado na madrugada do último sábado (24) em Itambaracá, no Norte Pioneiro do Paraná.

A defesa dele informou que só vai se manifestar "após ter acesso a todas as informações do caso".

A vítima estava em um bar com amigos quando os policiais chegaram para atender uma ocorrência de perturbação de sossego. A violência praticada pelo agente foi filmada por uma cliente do estabelecimento.

No boletim da ocorrência, ao qual o g1 e a RPC tiveram acesso, os policiais escreveram:

 

“Segundo relato da denúncia, no local havia som em volume excessivo, quando da chegada da equipe no local, foi constatado que havia um grupo de pessoas, porém não havia som, apenas conversa, antes o exposto, foram devidamente orientados. Sem mais.”

 

O documento é assinado por Camilo, que é soldado, e por um cabo da PM, que também atendeu a situação.

Camilo foi afastado da função por determinação do secretário estadual de Segurança Pública, Hudson Teixeira. Em entrevista, o governador Ratinho Junior (PSD) cobrou esclarecimentos e avaliou que “claramente houve excesso” por parte do militar.

A RPC apurou que Jader Camilo foi investigado em 13 Inquéritos Policiais Militares (IPMs) relacionados ao crime de lesão corporal durante abordagens.

Em apenas um dos inquéritos foi constatado indícios de transgressão à disciplina militar, ou seja, crime militar. Nesse processo, Jader foi repreendido disciplinarmente.

Agressões foram filmadas

 

As imagens do episódio registrado no último fim de semana mostram o policial xingando e mandando as pessoas que estavam no bar abaixarem o volume do som.

Em outro trecho, ele aparece discutindo com a vítima, que leva dois tapas e um chute. Ela também é arrastada pelas pernas, puxada pelos cabelos e jogada na calçada.

A mulher disse que teve lesões em várias partes do corpo e questionou a alegação de que havia som alto no bar.

 

“O que está mais dolorido é o meu joelho, mas fiquei com roxos nas pernas, minha cabeça está bem inchada também. Uma parte da minha costela, que foi na hora que eu caí na calçada, também dói bastante. A gente estava em um baile e depois fomos para o bar, mas não tinha som alto, não tinha nada.”
Após ser agredida, a vítima procurou atendimento em um hospital e depois foi liberada.

A PM relatou que “a ação não reflete os valores e o profissionalismo da corporação, dedicada à proteção e ao bem-estar da população”.

O Ministério Público do Paraná (MPPR) disse apenas que vai acompanhar as investigações.

 

Por G1 PR

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