OLIMPÍADAS

Ranking olímpico dos estados: veja a lista das medalhas conquistadas pelo Brasil desde 1920

Primeira medalha foi conquistada em 1920, por Guilherme Paraense (PA), no Tiro Esportivo. De lá para cá, Brasil contabilizou 609 atletas que subiram no pódio olímpico. Veja lista de medalhistas
13 de agosto de 2024
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Qual o estado que mais conquistou medalhas na história olímpica do Brasil?

Falando assim, é óbvio apostar em São Paulo - não apenas pelos recursos, mas também por concentrar o maior número de clubes e competições de alto rendimento.

Mas elaborar um ranking olímpico por estados é bem mais complexo. Porque significa considerar todos os medalhistas, incluindo os esportes coletivos. Só para se ter uma ideia: o Brasil conquistou 20 medalhas em Paris, mas teve 67 medalhistas. Aí uma outra ressalva: há atletas que conquistaram mais de uma medalha, como Rebeca Andrade (4) e Bia Souza (2).

O Brasil chegou a 170 pódios na história olímpica após a participação em Paris. O que representa 609 atletas medalhados. O ge fez o raio-x de todos eles e chegou ao ranking de estados (confira abaixo).

Ranking de estados

 

São Paulo lidera o quadro de medalhistas olímpicos por estado, com 232 atletas no pódio. Por outro lado, os Jogos de Paris valeram a primeira medalha para Mato Grosso - com Aninha, prata com o futebol.

Além de São Paulo, o top-10 é ocupado ainda por Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Distrito Federal, Pernambuco, Espírito Santo e Paraíba.

Curiosamente, 15 medalhistas são atletas nascidos no exterior - o mais conhecido deles, Rodrigo Pessoa, que nasceu em Paris e é dono de três medalhas olímpicas (um ouro e dois bronzes).

Raio-X dos medalhistas olímpicos

Posição Estado Ouro Prata Bronze Total
1 São Paulo 49 82 101 232
2 Rio de Janeiro 24 34 41 99
3 Minas Gerais 13 18 14 45
4 Rio Grande do Sul 11 23 15 50
5 Paraná 8 20 13 41
6 Bahia 7 12 9 28
7 Distrito Federal 7 4 6 16
8 Pernambuco 5 1 3 9
9 Espírito Santo 3 4 3 10
10 Paraíba 3 3 1 7
11 Acre 2 0 0 2
12 Alagoas 1 3 2 6
13 Piauí 1 3 1 5
14 Rio Grande do Norte 1 2 4 7
15 Goiás 1 2 1 4
16 Pará 1 1 1 3
17 Sergipe 1 0 1 2
18 Roraima 1 0 0 1
19 Santa Catarina 0 6 4 10
20 Maranhão 0 3 3 6
21 Ceará 0 3 0 3
22 Mato Grosso do Sul 0 1 4 5
23 Amazonas 0 1 1 2
24 Mato Grosso 0 1 0 1

São Paulo: Com 231 medalhas conquistadas, tem mais que o dobro do Rio de Janeiro, o segundo colocado. A lista de atletas medalhados começa com a recordista Rebeca Andrade, nascida em Guarulhos e dona de seis medalhas olímpicas, sendo duas de ouro conquistadas de Tóquio-2020 e Paris-2024. O velejador Robert Scheidt tem cinco medalhas, também com dois ouros conquistados em Atlanta-1996 e Atenas-2004. Outros bicampeões olímpicos nascido em São Paulo são Adhemar Ferreira da Silva, campeão no salto triplo em Helsinque-1952 e Melbourne-1956; e o levantador Maurício Lima, de Campinas, ouro em Barcelona-1992 e Atenas-2004. Neymar Júnior, paulista de Mogi das Cruzes, estava na equipe da primeira medalha de ouro no futebol, no Rio de Janeiro-2016 - ele já havia sido prata em Londres-2012. Gabigol, de São Bernardo do Campo, esteve junto com Neymar na conquista do ouro no Rio. Por fim, vale citar as medalhas douradas (e históricas) de Aurélio Miguel (Seul-1988), César Cielo (Pequim-2008), Maurren Maggi (Pequim-2008), Thiago Braz (Rio de Janeiro-2016) e, claro, da itaririense Beatriz Souza (Paris-2024).

Rio de Janeiro: A lista de medalhistas fluminenses também é grande. A começar pelas bicampeãs olímpicas do vôlei feminino, Fabi Alvim e Thaísa, ouro em Pequim-2008 e em Londres-2012. Os velejadores Marcelo Ferreira e Martine Grael, ambos nascidos em Niterói, também possuem duas conquistas olímpicas - Marcelo, em Atlanta-1996 e Atenas-2004; e Martine, no Rio de Janeiro-2016 e Tóquio-2020. A histórica primeira medalha no vôlei de praia veio de uma dupla 100% carioca, formada por Jackie Silva e Sandra Pires, em Atlanta-1996. A geração do vôlei tem como ícones Bruninho (ouro na Rio-2016 e prata em Pequim-2008 e Londres-2012), Nalbert (ouro em Atenas-2004), Tande (ouro em Barcelona-1992). Entre os medalhistas de prata, destaque para duas gerações do futebol, com Romário (Seul-1988), Marcelo e Thiago Silva (Londres-2012). Assim como o trio, Bernardinho Resende, supercampeão como técnico, foi prata como jogador em Los Angeles-1984.

Minas Gerais: Podemos dizer que a força mineira está no vôlei. Com 13 medalhas douradas na história das Olimpíadas, nada menos que 12 vieram da modalidade. A lista, que inclui a bicampeã Fabiana, mineira de Santa Luzia, (ouro em Pequim-2008 e Londres-2012), começa lá atrás, com o histórico ouro de Giovane (Juiz de Fora) e Talmo (Itabira), em Barcelona-1992. A lista dourada do vôlei também inclui Adenízia (natural de Ibiaí, campeã em Londres-2012), Anderson (Belo Horizonte, campeão em Atenas-2004), Lucarelli (Contagem, campeão no Rio-2016), Maurício Souza (Iturama, campeão no Rio-2016), Sassá (Barbacena, campeã em Pequim-2008), Sheilla (Belo Horizonte, campeã em Pequim-2008) e Walewska (Belo Horizonte, campeã em Pequim-2008). A tradição no vôlei chegou à praia, com o título de Ana Patrícia, mineira de Espinosa, em Paris-2024. A única medalha dourada de Minas Gerais que não veio do vôlei é de Uílson, goleiro reserva do Brasil na conquista do futebol na Rio-2016.

Rio Grande do Sul: Outro estado que tem tudo a ver com o vôlei. São nove campeões olímpicos na modalidade. A trajetória começou em Barcelona-1992, com três gaúchos: Janelson, Jorge Edson e Paulão, os três nascidos em Porto Alegre. Também são campeões olímpicos no vôlei os jogadores André Heller (natural de Novo Hamburgo, ouro em Atenas-2004), Carol Albuquerque (Porto Alegre, campeã em Pequim-2008), Éder (Farroupilha, campeã no Rio-2016), Fernanda Garay (Porto Alegre, campeã em Londres-2012, Gustavo Endres (Passo Fundo, campeão em Atenas-2004) e Lucão (Colinas, campeão no Rio-2016). As outras duas medalhas de ouro do Rio Grande do Sul vieram no futebol, na Rio-2016, com Rodrigo Dourado e William. E por falar no futebol, a prata de Los Angeles-1984 tem muito a ver com os gaúchos, já que o Inter foi a base daquela equipe, incluindo os gaúchos Gilmar Rinaldi, Pinga, André Luís, Mauro Galvão, Dunga, Kita e Paulo Santos.

Paraná: Dois dos maiores atletas olímpicos do Brasil nasceram no Paraná. O ex-líbero Serginho, bicampeão olímpico em Atenas-2004 e Rio-2016, nasceu em Diamante do Norte. Já o multicampeão de vôlei de praia Emanuel Rêgo, dono de três medalhas olímpicas (ouro em Atenas-2004, prata em Sydney-2000 e bronze em Pequim-2008). Ainda no vôlei, os paranaenses campeões olímpicos são Giba (natural de Londrina e ouro em Atenas-2004), Lipe (Curitiba, campeão na Rio-2016) e Natália (Ponta Grossa, campeã em Londres-2012). No futebol, mais duas medalhas douradas para o Rio Grande do Sul, com Zeca (natural de Paranavaí e campeão na Rio-2016) e Bruno Fuchs (Ponta Grossa, campeão em Tóquio-2020).

Bahia: O canoísta Isaquias Queiroz, dono de cinco medalhas, é o maior nome olímpico do esporte baiano. Natural de Ubaitaba, ele tem um ouro na Tóquio-2020, além de duas pratas e um bronze na Rio-2016 e outra prata em Paris-2024. Ricardo Santos tem três medalhas no vôlei de praia (ouro em Atenas-2004), prata em Sydney-2000 e bronze em Pequim-2008). O boxe também impulsiona a Bahia no ranking dos estados, com os ouros de Robson Conceição (Rio-2016) e Hebert Conceição (Tóquio-2020), Na natação, o ouro de Ana Marcela Cunha na prova de águas abertas em Tóquio-2020 foi a primeira de uma mulher na modalidade. E no futebol, destaque para Walace, campeão da Rio-2016 e Daniel Alves, que estava no grupo bicampeão em Tóquio-2020.
Distrito Federal: A bicampeã Paula Pequeno, ouro em Pequim-2008 e Londres-2012, puxa a fila dos destaques do esporte candango. Lista que inclui as históricas medalhas de Joaquim Cruz (ouro em Los Angeles-1984 e prata em Seul-1988) e que ganhou novos personagens com a prata de Caio Bonfim, na marcha atlética, e de Gabi Portilho, no futebol feminino, ambas conquistadas em Paris-2024. Outros nomes importantes do DF são Felipe Anderson, ouro no futbol na Rio-2016, Bruno Schmidt, ouro no vôlei de praia na Rio-2016, Tandara, ouro no vôlei feminino em Londres-2012, Reinier, ouro no futebol em Tóquio-2020, além das medalhistas de bronze Ketleyn Quadros (Pequim-2008 e Paris-2024) e Leila Barros (Atlanta-1996 e Sydney-2000).
Pernambuco: Outra representante do vôlei feminino é a maior atleta olímpica pernambucana: Jacqueline, bicampeã em Pequim-2008 e Londres-2012. O vôlei também rendeu outras duas medalhas de ouro, com Dani Lins (prata em Londres-2012) e com a histórica seleção de Barcelona-1992, que tinha Pampa no time. No futebol, mais quatro medalhas: o zagueiro Nino foi campeão em Tóquio-2020, a goleira Bárbara ficou com a prata em Pequim-2008, Rivaldo foi bronze em Atlanta-1996 e Hernanes também ficou com o bronze em Pequim-2008. Por fim, Yane Marques, de Afogados do Ingazeira, fez história ao conquistar a única medalha do pentatlo moderno, o bronze em Londres-2012.
Espírito Santo: Com um ouro e uma prata no vôlei de praia, Alison Mamute é o grande nome do esporte olímpico capixaba. Ele conquistou o título no Rio-2016, quatro anos depois do vice-campeonato em Londres-2012. Também no vôlei de praia, Fábio Luiz foi prata em Pequim-2008 e Larissa ficou com o bronze em Londres-2012. Completando o rol de modalidades com medalhistas capixabas, o futebol teve o ouro de Richarlison em Tóquio-2020, a prata de Geovani em Seul-1988 e o bronze de Sávio, em Atlanta-1996. Por fim, o boxe foi medalhistas com os irmãos Falcão em Londres-2012 - Esquiva Falcão com a prata e Yamagushi Falcão, com o bronze.
Paraíba: Das sete medalhas olímpicas da Paraíba, cinco vieram do futebol. A tradição começou com a prata de Mazinho, em Seul-1988. Depois, Hulk ficou com a prata em Londres-2012. Na Rio-2016, Douglas Santos estava no elenco da primeira medalha dourada da modalidade. E em Tóquio-2020, o estado esteve representado pelo goleiro Santos e pelo atacante Matheus Cunha na campanha do bicampeonato olímpico. As outras duas medalhas paraibanas vieram com Zé Marco, prata no vôlei de praia em Sydney-2000, e com Edival Marques, o Netinho, bronze no taekwondo em Paris-2024.

Os estrangeiros medalhistas

 

Além dos estados representados com as conquistas olímpicas brasileiras, outras medalhas vieram do exterior. O mais conhecido deles é o cavaleiro Rodrigo Pessoa, nascido em Paris, ouro em Atenas-2004 e bronze em Atlanta-1996 e Sydney-2000.

Outro campeão olímpico do Brasil vem da Suécia. É o velejador Lars Bjorkstrom, ouro em Moscou-1980.

Dos Estados Unidos vieram a zagueira Angelina, nascida em Nova Jersey, que conquistou a prata em Paris-2024; e a velocista Rosângela Santos, nascida em Washington, bronze em Pequim-2008.

A Alemanha contribuiu com três bronzes, o último deles com Júlia Bergmann, nascida em Munique, no vôlei feminino, em Paris-2024. Antes dela, Sebastião Wolf, natural de Gobweinstein, subiu ao pódio no Tiro Esportivo em Antuérpia-1920; e o velejador Burkhard Cordes, que nasceu em Darmstadt, foi medalhista na Cidade do México-1968.

O argentino Antonio Sucar ajudou a construir uma das mais lindas páginas da história do basquete brasileiro, bronze em Roma-1960 e em Tóquio-1964. Nessa última conquista, também estava o bielorrusso Victor Mirshauwka.

Na conquista do bronze do vôlei feminino em Sidney-2000, a levantadora reserva Kátia é natural de Barranquilla, na Colômbia. Ela nasceu no país vizinho na época que o seu pai defendia o Junior Barranquilla e só veio para o Brasil quando tinha dois anos de idade.

Em Atenas-2004, o judoca Flávio Canto conquistou o bronze. Ele é nascido em Oxford, na Inglaterra.

Por fim, em Munique-1972, o também judoca Chiaki Ishii foi bronze. Ele nasceu em Ashikaga e é considerado o precursor da história olímpica do judô.

Por GE 

 

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