Um exemplo de perseverança: conheça o jovem que convive com o gigantismo

O caso de Elivandro Canova é raro na medicina e nos ensina lições inspiradoras de vida

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Gigantismo: uma doença que ocorre ainda na infância, causada por um tumor na hipófise, a principal glândula do corpo humano. Ela surge quando o organismo produz em excesso o hormônio do crescimento e a prolactina, fazendo com que órgãos e partes do corpo cresçam mais do que o normal.

A doença é considerada rara e acomete tanto meninos quanto meninas. Sem os cuidados médicos necessários, portadores de gigantismo podem evoluir para uma forma mais grave da doença, onde surgem outras complicações, com altas taxas de mortalidade. Quem enfrenta os tratamentos, no entanto, e convive com a doença ao longo dos anos é um verdadeiro exemplo de vida.

Esse é o caso de Elivandro Canova, morador de Mangueirinha desde os 12 anos de idade. Natural de Tenente Portela, cidade pequena localizada ao Sudoeste do Rio Grande do Sul, foi diagnosticado com gigantismo aos 8 anos de idade, em uma fase da infância até então marcada pelos estudos e as brincadeiras diárias com os amigos.

Uma realidade vivida no interior do município que logo foi substituída por exames e procedimentos em hospitais de grande porte. Ao todo, segundo Elivandro foram cerca de 18 procedimentos cirúrgicos realizados ao longo dos anos. Hoje, aos 42 anos de idade, Elivandro já enfrentou e venceu diversas batalhas durante sua trajetória, mas ainda se recorda dos primeiros sintomas enfrentados com a doença.

“Quando eu completei oito anos, meus pais percebiam eu eu chegava em casa e falava de uma dor na perna direita, no fêmur, mas sempre surgia aquele papo: ah, é coisa de criança. Como a dor não passava, eles me levaram para consultar com um médico da cidade, que teve uma suspeita e rapidamente me encaminhou para Porto Alegre”, conta.

A partir daí, Elivandro e toda a família passaram a conviver diariamente com médicos e enfermeiras, em uma rotina bastante exaustiva, porém necessária para que ele pudesse enfrentar a doença. Ele comenta que chegou a ficar 4 meses seguidos internado e relata de onde vinha sua força para enfrentar toda essa caminhada.

“Uma pessoa que me auxiliou bastante nessa questão, que se não fosse ela eu não teria essa qualidade de vida que eu tenho hoje, foi minha mãe, que sempre esteve do meu lado. Ela foi primordial, porque quando os médicos chegaram ao meu problema, eles viram um caso extremamente frágil na parte óssea do quadril, então, sugeriram na época realizar um transplante e minha mãe se disponibilizou. Ela fez os exames e doou parte da cartilagem do osso dela para mim”, conta Elivandro

Novas batalhas

Recuperado do procedimento, aos poucos Elivandro foi voltando à rotina de atividades. Tudo parecia bem, até que aos 15 anos de idade, o jovem começou a sentir novamente as dores no fêmur, suportando-as até completar 18 anos, quando precisou procurar novamente um médico para avaliar seu caso.

Desta vez, o encaminhamento foi feito para uma equipe ortopédica em Curitiba. “O Doutor que me atendeu na época ficou surpreso com um caso tão raro, delicado e curioso na medicina e lá eu permaneci internado novamente. Enfrentei tudo aquilo de novo. A parte óssea doada pela mãe foi removida e eles colocaram uma haste que cobria toda a parte femoral”, detalha o jovem.

Dois anos depois, no entanto, um grande desgaste onde havia sido feita a última cirurgia foi identificado. Com mais de 400 km de distância entre o município de Mangueirinha e Curitiba, o deslocamento constante para acompanhamento era difícil, por isso, os médicos da época sugeriram que Elivandro realizasse uma consulta com um médico de Pato Branco. Uma nova fase marcante na história de vida do jovem.

“Nesse momento as coisas começaram a fluir de uma forma muito positiva, eu me senti totalmente diferente. Parece que algo dentro de mim dizia que eu tinha encontrado a solução para esse problema”, conta Elivandro.

As vitórias alcançadas

Foi em Pato Branco que Elivandro conheceu uma nova equipe de médicos dispostos a lhe ajudar, entre eles o ortopedista Paulo Roberto Mussi e a endocrinologista Thaís Mussi. Após uma longa e detalhada avaliação do caso do jovem, optaram por seguir com um novo tratamento, obtendo grandes resultados dois anos após o início dos procedimentos.

“Por diversas razões a opção cirúrgica não era interessante. Então, frente ao que se apresentava, a gente optou por tratar o tumor apenas com medicações no sentido de tentar reduzi-lo um pouco e nós fomos muito felizes no tratamento, porque a gente já conseguiu ter uma redução bem expressiva, de 70% mais ou menos desse tumor. […] Então, além de uma satisfação médica, é uma satisfação pessoal ver o Elivandro muito melhor, mais animado, mais disposto. É uma recompensa muito grande pra mim”, relata a médica.

Para Elivandro, essa também é uma das vitórias mais importantes e marcantes de toda a sua batalha, desde o diagnóstico da doença, porque ela transformou não apenas sua condição física, mas também a parte emocional da sua vida.

“De 2015 pra cá, o Dr. Fábio, o Dr. Mussi e a Dra. Taís, me deram não apenas um condicionamento melhor, mas uma visão diferente sobre tudo isso, porque eu tinha um certo preconceito, uma mágoa, um ódio, de tantas frustrações lá atrás que eu ia, sofria, passava por processos cirúrgicos e durava alguns meses e em pequenos intervalos eu tinha que voltar e repetir. Agora eu me sinto muito feliz e com a certeza de que eu vou chegar lá”, finaliza Elivandro Canova.

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