O Promotor de Justiça da comarca de Mangueirinha, José de Oliveira Júnior, contou um pouco de sua trajetória profissional, bem como, das ações que vem realizando no município ao participar da Live da última quarta-feira, 11.

Natural de Patos de Minas, região do Triângulo Mineiro (MG), filho de uma empregada doméstica e um pedreiro, o promotor José, foi um dos primeiros em sua família a conseguir formação no Ensino Superior. De acordo com ele, o desejo de atuar na área surgiu quando estava terminando o Ensino Médio, e acompanhando reportagens sobre a atuação da justiça, principalmente, em casos de corrupção, sentiu despertar o sonho de ser promotor de Justiça

José explicou que o promotor de Justiça está sempre atuante, promovendo melhorias. E foi isso que o levou a optar pela carreira. Ele falou ainda de porquê não ter tentado carreira no judiciário, outro cargo muito almejado.

“Um juiz, exerce um papel mais inerte frente aos acontecimentos, ele recebe as demandas e julga de acordo com o que lhe é apresentado. Para isso, diante de cada situação, precisa aguardar pela manifestação de outros órgãos, enquanto que o promotor de justiça está atuando diretamente nessas situações. Isso combina mais com o meu perfil e por isso decidi seguir sendo promotor de Justiça”, disse.

E não foi um caminho fácil, além dos anos para concluir a graduação, as etapas até ser aprovado para o cargo exigiram dedicação extrema, muito conhecimento e preparo psicológico, já que além da formação em Direito e de ser obrigatório ter três anos de prática jurídica, o concurso para promotor possui provas com alto grau de dificuldade.

“Na primeira fase, são 120 questões tendo que acertar pelo menos 60%. Depois se enfrenta cinco dias de prova com duração de 5 horas cada. Em cada m desses dias temos que responder dentro de cinco temáticas, nove questões dissertativas de 15 a 30 linhas, e uma peça prática de até 90 linhas, o que exige muita resistência mental. Terminada essa prova escrita, passamos por avaliação social, psicológica, psiquiátrica para então enfrentar uma prova oral diante de uma banca com procuradores, de Justiça, Jurista integrante da OAB. Se aprovados passamos a trabalhar no cargo e por dois anos ficamos sob a firme atuação da corregedoria que fiscaliza nossas ações. Só depois de tudo isso é que é possível se tornar um promotor de justiça com vitaliciedade”, contou.

Para aqueles que desejam ingressar na carreira jurídica, e até mesmo chegar ao mesmo cargo que ele, o promotor aconselhou:

“É importante ter dedicação. Milhares de bacharéis em Direito entram no mercado de trabalho todos os anos e ainda assim,no caso do concurso para o MP, sobram vagas. É preciso ter um diferencial e eu considero que o que faz a diferença é o quanto você estuda”, afirmou.

José ainda comentou sobre os desgastes da profissão, que também precisam ser levados em consideração.

“As pessoas tendem a olhar o lado bom. A remuneração, que é  o maior salário do país, e  também o prestígio. Mas não é só isso, a jornada de trabalho envolve muitas vezes centenas de processos, com trabalho que precisa ser feito também aos sábado e domingos.  Uma das últimas ações que eu entrei, por exemplo, tinha 115 páginas, o que torna complexo o desenvolvimento dos trabalhos. Temos restrição de acesso a diversos locais, sofremos ameaças, calúnias e difamação o que reflete na família também. Além disso, tem pessoas que se aproximam apenas com o desejo de obter vantagens. É preciso ter força mental e principalmente vocação. Não se pode pensar só no salário e no prestígio”.

Sobre sua atuação, o promotor José destacou o trabalho realizado às terças-feiras, dia que que são atendidos os problemas de cunho social como por exemplo, pessoas que procuraram medicamentos ou internação por meio do Sistema único de Saúde e não conseguiram, mães que têm filhos viciados em drogas e precisam de internamento, entre outros problemas.

“Temos muitas pessoas que precisam de ajuda. E eu sempre afirmo que elas vão ter o problema solucionado, porque no que depender do Ministério Público é assim que vai ser. Temos um atendimento diferenciado, preocupado com cada situação” comentou.

Além disso, a promotoria tem ainda mais de 200 processos administrativos em andamento.

“Cada processo demanda a análise criteriosa, requisição de documentos e provas de comprovação. Isso demanda tempo, por isso, nesses primeiros meses de atuação a impressão era de que a promotoria estava em silêncio, mas agora, já podemos desencadear as operações para recolher as últimas provas que são necessárias. Temos muitas coisas sendo apuradas”, explicou.

Sobre a ExpoMang, o Promotor comentou que o Ministério Público não é contra a realização da feira, mas, que não deixará passar ilegalidades.

“Minha preocupação com a feira é tão grande que fiz um esforço e mesmo em meio a todas as investigações expedi a recomendação ao prefeito municipal em tempo hábil de serem corrigidas as ilegalidades e refazer o processo licitatório para que a festa se realize. Entendemos que é muito ruim para o município se ela não se realizar, mas pior é que se realize para beneficiar terceiras pessoas”, explicou o promotor.

Sobre outros processos em andamento o promotor também comentou que não tem qualquer tipo de indisposição relacionada às pessoas do prefeito, vereadores ou quem quer que seja. E sim, o respeito institucional.

“Não levo nada para o lado pessoal. Faço o que tenho que fazer de acordo com a minha ciência e consciência”, afirmou o promotor.

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